IBDH na 59ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU: Diálogo Interativo sobre Racismo e Discriminação Racial

Declaração oral conjunta apresentada por Nikaelly Lopes denuncia o racismo estrutural no Brasil e destaca a necessidade urgente de políticas públicas integradas e alternativas ao encarceramento.

Senhora Relatora,

Agradecemos pelo seu relatório sobre a visita ao Brasil.

O governo brasileiro reconhece que o racismo é sistêmico e estabeleceu programas importantes e legislação para prevenir e combater a discriminação racial.

No entanto, o sistema de justiça permanece seletivo, e a segurança pública segue uma abordagem bastante punitiva, perpetuando o racismo estrutural. Essa questão, juntamente com a história não superada da escravidão no país, transformou as periferias em locais de constante vigilância e controle. Nesses locais, os setores racializados enfrentam muitas barreiras à mobilidade social e estão frequentemente expostos à brutalidade policial.

Devido às desigualdades entrincheiradas, as prisões são usadas como substituto nefasto para políticas públicas em comunidades que não recebem serviços sociais básicos. Para muitos, o Estado está presente apenas por meio da polícia e das prisões.

O Brasil gasta excessivamente com encarceramento, enquanto o investimento em serviços essenciais — como educação, saúde e moradia — é reduzido.

É urgente que o Brasil crie serviços públicos e políticas de justiça que atuem em conjunto, considerem as diferentes formas de discriminação interseccional e se concentrem em alternativas à prisão.

Obrigado.

*As opiniões expressas nos artigos publicados no Blog do IBDH são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, o posicionamento institucional do IBDH.
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